Ouço aquela música.
Arrepio-me porque não estás.
Esqueço-me do espaço onde me encontro.
Arrepio-me mais ainda quando te vejo chegar.
A pele eriça-se e os batimentos sentem-se por cima da roupa.
Dizem que aparecem borboletas, mas não acredito.
Até porque as prefiro a voar e não presas numa parte fechada de mim.
Prefiro acreditar numa luta entre a lucidez e a fantasia.
Um arrepio cresce e demora-se.
Gosto.
Não me causa nenhum rubor, não é da minha natureza.
Nem deixo espaço para pejo ou castidade.
Assumo todos os meus arrepios com vaidade.
São excepcionais, valiosos e não poderia castrá-los.
Mas se me falas, sorrio e não digo nada.
Silencio-me nos teus olhos onde vejo brilhar os meus.
Suponho que me ouves mesmo sem falar.
Cala-se o arrepio, finda o duelo interno.
A ilusão ganha-me.
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